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29 de maio 2019

Mineração pode "transcender" China, diz chefe da Glencore

A indústria mineradora e metais pode "transcender" a China, seu maior cliente, sustentada pela maior demanda por matérias-primas decorrente das melhoras no padrão de vida mundial e do uso de energias mais limpas, segundo Ivan Glasenberg, o bilionário chefe da Glencore. Por mais de dez anos, o setor de mineração direcionou suas atenções para a China, injetando bilhões de dólares em novos projetos e fusões e aquisições para atender a demanda aparentemente insaciável do país por commodities. Os investidores, no entanto, começaram a ter dúvidas quanto às perspectivas de expansão do setor de mineração diante da mudança na forma de crescimento da China, que passou a depender mais do consumo. Falando durante uma conferência para investidores em Barcelona, Glasenberg disse que a urbanização na África e em partes da Ásia, somada à transição energética, prenuncia um futuro brilhante para o setor. "Nossa indústria pode transcender a jornada da China rumo a uma economia guiada pelo consumo", disse. "As necessidades futuras pelas commodities que produzimos provavelmente vão ser similares às do passado. Tudo se resume à demografia."

Para que o padrão de vida mundial se equipare ao dos países desenvolvidos até 2050, vão ser necessárias 428 milhões de toneladas adicionais de cobre até esse ano, segundo executivo. É cerca de 2,5 vezes o atual estoque mundial. A transição para um transporte movido a eletricidade também vai impulsionar a demanda por cobre em 3 milhões de toneladas adicionais por ano até 2030. Para o níquel e o cobalto, as projeções são de 2,3 milhões de toneladas e de 263 mil toneladas adicionais por ano. "Em 2030 [...] a demanda dos veículos elétricos [vai ser] equivalente a quase o dobro da nova oferta total de todos os prováveis projetos [de produção cobre]", disse. Glasenberg ressaltou que aumentar a produção das minas vai ser difícil porque os recursos de alta qualidade e fácil desenvolvimento estão se esgotando. "Os recursos remanescentes são cada vez mais difíceis de minerar e [sua exploração é] frequentemente dificultada por locais problemáticos, pior qualidade, mineralogia mais complexa, infraestrutura deficiente e dimensões sem escala comercial."

A Glencore é uma das maiores produtoras mundiais de cobre, níquel e cobalto. Também é uma grande fornecedora de carvão térmico, um combustível fóssil que é queimado em usinas termelétricas para gerar eletricidade. As ações da mineradora tiveram problemas para se valorizar neste ano, afetadas por receios quanto à desaceleração do crescimento mundial, à revisão das projeções de desempenho de suas operações de cobre e níquel e às notícias de uma investigação das autoridades americanas de supervisão do mercado de commodities sobre possíveis práticas corruptas. "A companhia já alertou para prováveis novas reduções na previsão de produção anual de cobre", escreveu o analista Sam Catalano, do Credit Suisse, em informe. "Além disso, depois do primeiro trimestre relativamente fraco, prevemos que a produção vai ficar pesadamente mais desequilibrada para o segundo semestre na maioria das divisões e alertamos para o risco de mais cortes abrangentes nas previsões anuais [da empresa]", escreveu Catalano.

Fonte: Valor